2019 e as Mudanças de Vida


Há alturas da nossa vida em que a expressão "Ano Novo, Vida Nova" é usada de forma pouco consciente, sem significado, sem perceber realmente o poder da expressão.

Este ano posso dizer que a apliquei da melhor forma possível. Acho que até devia emoldurar essa frase para poder olhar para ela todos os dias.

Há por aqui muita gente que não me conhece. Ou se calhar não. Mas para os que não conhecem, passo a apresentar-me.

Olá, chamo-me Diana. Tenho 30 anos. Sou Licenciada em Enfermagem e fui enfermeira até Dezembro de 2018.

Bem... na realidade quando se estuda para ser enfermeira e se interioriza o que é Ser Enfermeiro, nunca se deixa de o ser.

Desde 2011 que trabalho na minha área. Durante 2 anos apenas de forma voluntária, numa instituição de solidariedade. É óbvio que ninguém vive das boas acções, e não são elas que nos pagam a vida que temos. Por isso, tive necessidade de procurar algo que me desse rendimento e me permitisse manter ao longo dos meses. Passei por projectos na área social, lojas de roupa, e, finalmente, em 2013 consegui trabalho na área em que me formei. E a partir desse dia nunca mais saí daí.

Comecei a trabalhar por turnos. A aprender realmente a Ser Enfermeira, e a cuidar de pessoas em situações inimagináveis. Comecei a trabalhar num serviço de Medicina Interna (contrariada sim) e acabei por nunca abandonar essa área.

Se, no início, fiquei triste, decepcionada e aborrecida porque tinha sido retirada de uma área que gostava, com o tempo aprendi a dar valor ao que encontrei nesse tipo de serviço. Posso, finalmente, admitir que sim, todo e qualquer enfermeiro deve passar algum tempo em serviços de Medicina Interna. São uma excelente escola e uma forma excelente de nos formar, de nos desenvolver enquanto profissionais. De fazer de nós os grandes profissionais do futuro.

Não é fácil. Vivemos situações de alegria, preocupação, muita tristeza. Deixamos muito de nós lá e trazemos muito deles (dos doentes) connosco. E na grande maioria das vezes (se não todas) o que trazemos não é palpável nem visível aos olhos.

Quando consegui começar a trabalhar mais perto de casa, ganhei anos de vida. Não perdia tanto tempo em viagens, conseguia ter uma vida social mais activa e o gosto pelo que fazia foi crescendo. Gostava mesmo muito de ser enfermeira. Gostava de sentir que fazia diferença na vida daquelas pessoas. Que chegava e conseguia agir, mantendo a calma, e resolvendo as situações dentro das possibilidades. 

Sinto que ganhei muito enquanto enfermeira. Se enumerasse uma lista das coisas que ganhei, certamente que a primeira não seria dinheiro (não é disso que se trata este post). Seriam as pessoas que ficaram e hão-de ficar na minha vida para sempre.

Mas vamos falar daquilo que importa... mudar porquê? Para quê? O que aconteceu?

Há algum tempo que sinto que atingi um patamar profissional que me faz pedir por mais. Não me acho nem nunca achei que seria a cereja no topo do bolo, tenho apenas noção da profissional que sou, e daquilo que tenho para oferecer. Há já algum tempo que não sinto a mesma alegria e vontade quando ia trabalhar, sentia que nada me assustava ou desafiava. Sentia-me a estagnar.

Aos 30 anos ninguém se deve sentir assim. Tentei de tudo. Mudar a minha postura perante o que fazia, pedir transferência para outra área. Quando o fiz, por muito difícil que tenha sido tomar a decisão, limitei-me a esperar. Esperar... Lutar por um serviço melhor, lutar por um ambiente de trabalho melhor...

Não parei de pensar em momento algum que poderia haver mais além disto.

Actualmente, o sentimento que tenho face à minha profissão é este: Antigamente, quando te perguntavam o que fazias e dizias que eras enfermeira, toda a gente dizia "Brutal! Salvas vidas!" mas agora, quando dizemos que somos enfermeiros a resposta é uma palmadinha nas costas e um "Oh... Coitada...".

Quando vês a tua profissão chegar a este ponto e (pior!) tu própria te sentes assim... é porque algo não está bem.

E foi no meio destes sentimentos todos que surgiu uma oportunidade nova. Mudar de rumo, sem pôr de lado o facto de que acima de tudo sou enfermeira, e que a experiência que desenvolvi e adquiri ao longo destes anos valeu mesmo a pena.

Entrar em 2019 foi uma lufada de ar fresco. Acabaram-se os turnos. Acabaram-se as noites mal dormidas e fora de casa. Acabaram-se os feriados longe da família. Os fins de semana sem poder fazer planos.

É óbvio que quando decidimos ser enfermeiros isto não nos interessa. Interessa-nos aprender, fazer, crescer... mas com o tempo percebemos que não podemos mudar o que está errado. Não podemos mudar os problemas da profissão, não podemos mudar a índole das pessoas (que tornam o trabalho tão difícil), não podemos tornar as pessoas boas pessoas e, por consequência, bons colegas. 

Por isso, é aqui que entra a frase do início: Caminhos antigos não abrem novos caminhos.

Se não estão bem, se não se sentem realizados, felizes, com a vossa profissão, mudem. Não tenham medo de mudar. Não tenham medo de partir para novas aventuras. Não tenham medo de fechar capítulos, de encerrar etapas e de criar novos caminhos de forma diferente e inovadora.

Acima de tudo: 


Um beijinho.


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